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Isolamento e falta de atividade física podem aumentar dores crônicas em idosos

20/07/2020 13:37:30

O sedentarismo e a solidão intensificados em função da pandemia são fatores que colaboram na incidência e intensidade dessas dores  

Há quatro meses a rotina da população deu lugar a um período de mudanças constantes devido ao novo coronavírus. Desde a segunda quinzena de março a recomendação do Ministério da Saúde é para que as pessoas evitem sair de casa, a fim de evitar o contágio nesse momento. Essa situação, no entanto, tende a causar um aumento no sedentarismo e no sentimento de solidão, o que traz consequências negativas para a saúde, em especial dos idosos.  

Segundo a médica especialista em geriatria e clínica médica do Hospital Pilar, Fabiana Weffort Caprilhone (CRM-PR 15267 / RQE 7948), as dores crônicas nessa população, ou seja, com duração superior a três meses, podem aumentar com a falta de atividades físicas. Além disso, a solidão pode causar e agravar quadros de depressão, o que costuma afetar a memória e muitas vezes se reflete em sintomas físicos, como as dores. 

“O aumento das dores crônicas tem uma forte ligação com a saúde mental. O idoso, por estar mais isolado, sem contato com outros familiares, pode apresentar aumento na dor como um sinal da depressão. Por isso a importância de não abandonar as consultas com o médico assistente, pois esse profissional poderá prescrever as medicações necessárias e que irão trazer mais qualidade de vida”, explica Fabiana.  

De acordo com médica, as dores mais comuns na terceira idade estão localizadas nos membros inferiores, principalmente quadril, joelhos e pernas. Para detectar, muitas vezes não é tão simples. Quando o paciente apresenta problemas cognitivos ou evita falar da dor por medo de preocupar a família, ou até mesmo quando possui déficit neurológico ou tem algum tipo de demência, o incômodo pode ser avaliado pela mudança de comportamentos não verbais, como expressões faciais de dor, vocalizações (gemidos, choro), agitação, movimentos de retirada e mudanças na marcha. O importante é valorizar e investigar as dores, pois comprometem significativamente a qualidade de vida.  

Fabiana afirma que os idosos se beneficiam de intervenções físicas e de reabilitação e não somente de medicamentos, como acupuntura, exercícios de alongamento, pilates e musculação, por exemplo. Porém, nesse momento, um acompanhamento remoto muitas vezes já auxilia. “Os filhos e netos podem também ajudar acompanhando em caminhadas pela quadra ou dentro de casa para manter a mobilidade dessas pessoas. No caso de piora significativa, o paciente deve procurar o seu médico, sempre buscando a precaução na utilização abusiva de analgésicos e antiinflamatórios, pois pode trazer danos para a saúde nessa faixa etária”, destaca.  

A especialista completa dizendo que “prevenir é a melhor solução, cultivando bons hábitos alimentares, fazendo exercícios físicos, mesmo que em casa, utilizando a tecnologia para aproximar os familiares e mantendo uma rotina regular de consultas médicas para o bom controle de doenças crônicas que ocorrem na terceira idade”.


 

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