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Câncer intra-abdominal sem resposta a tratamentos convencionais pode ter bons resultados com cirurgia citorredutora e Hipec

13/11/2017 14:29:00

Alguns tipos de câncer tendem a se disseminar no peritôneo, membrana que reveste os órgãos abdominais, dificultando o tratamento da doença que, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), deve apresentar 600 mil novos casos entre 2016 e 2017. Nestas situações, a cirurgia de citorredução e a Hipec podem oferecer bons resultados a pacientes que não respondem bem aos métodos convencionais.

De acordo com os cirurgiões oncológicos do corpo clínico do Complexo de Saúde Hospital Pilar, Fabiano Bittencourt (CRM 18812/RQE 12819) e Bruno Roberto Braga Azevedo (CRM 20472/RQE 1012), a combinação pode aumentar a sobrevida de pacientes com câncer na região abdominal mesmo em casos avançados.

Na última década, houve aumento da utilização da cirurgia citorredutora combinada com a Hipec para estes casos. Em situações específicas, também pode haver indicação para neoplasias malignas primárias do peritôneo, apêndice, cólon, estômago e ovário.

O tratamento possui duas etapas principais. ”Inicialmente, há um procedimento cirúrgico para remoção dos pontos de doença da cavidade abdominal. A seguir, é realizada a aplicação de medicação quimioterápica diretamente no abdômen”, explica Bittencourt.

Traduzida do inglês, a sigla Hipec significa quimioterapia intraperitoneal hipertérmica. “No tratamento tradicional, a quimioterapia é endovenosa (feita pela veia) ou administrada via oral. Na Hipec, faz-se a aplicação dos medicamentos em alta concentração diretamente nos órgãos intra-abdominais e no peritôneo, em temperaturas que podem variar de 39 a 41 graus Celsius. Deste modo, é possível aumentar a absorção da medicação e conseguir maior eficácia na destruição das células cancerígenas residuais”, detalha Azevedo.

Segundo os especialistas, o fator que mais influencia nos resultados é a seleção adequada do paciente. “Deve-se ter critérios rigorosos a respeito da condição geral, do grau de disseminação tumoral, do tipo de neoplasia e dos tratamentos já realizados”, explicam.


Foto: Divulgação

Fonte: Anúncio Gazeta do Povo

 

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